Quero neste pequeno esboço relatar um dos fatos marcantes da vida de Jesus. A Apresentação de Jesus no Templo de Jerusalém mostra um itinerário marcado pelas tradições de sua cultura e da dinâmica de sua vida que era regida pelas leis e costumes do seu tempo. Jesus humano estava sujeito a tudo o que era próprio dos cidadãos de seu tempo.

“O Menino foi levado a Jerusalém, a fim de O apresentarem ao Senhor, conforme o que está escrito na Lei do Senhor” (Lc 2, 22). Conforme as leis, a mulher gestante deveria cumprir algumas exigências depois do nascimento da criança. A consagração dos primogênitos era feita no ato da circuncisão, no sexto dia do nascimento (cf. Ex 22,29s). A purificação da mãe acontecia trinta e três dias depois da circuncisão (cf. Lv 12,3).

No Templo de Jerusalém, estava o justo Simeão que profetiza sobre o menino Jesus: Ele será sinal de contradição. As provas disso são relatadas nos Evangelhos, quando Jesus entra em conflito com as tradições da Lei e com os chefes religiosos. O empenho em libertar os pequenos e humildes oprimidos sob o jugo da Lei levou-O à morte de cruz, momento culminante em que uma espada traspassa a alma de sua Mãe. Sendo assim, o Menino, que Maria e José levam com emoção ao Templo, é o Verbo encarnado, o Redentor do homem, da história!
Desse modo o Evangelho prolonga o tema de Cristo luz, que caracteriza as solenidades do Natal e da Epifania. “Luz para iluminar as nações e glória do seu povo, Israel” (Lc 2, 32). Estas palavras proféticas são proferidas pelo velho Simeão, inspirado por Deus quando toma o Menino Jesus nos seus braços. Ele preanuncia, ao mesmo tempo, que “o Messias do Senhor” realizará a sua missão como um “sinal de contradição” (Lc 2, 34). Quanto a Maria, a Mãe, também Ela participará pessoalmente na paixão do seu Filho divino (cf. Lc 2, 35).

O ícone de Maria que contemplamos enquanto oferece Jesus, no Templo, prefigura o ícone da Crucifixão, antecipando também a sua chave de leitura, Jesus, Filho de Deus, sinal de contradição. Com efeito, é no Calvário que alcança o cumprimento a oblação do Filho e, unida a esta, também a da Mãe. A mesma espada atravessa ambos, a Mãe e o Filho (cf. Lc 2, 35). A mesma dor, o mesmo amor.

A presença de Maria, Mãe e Mestra, prefigura na vida de cada batizado um sinal de intercessão. Ela acompanha seus filhos e aponta o caminho que nos leva a Jesus.

A minha bênção sacerdotal,

Pe. Valmir Teixeira, mSC
Reitor do Santuário das Almas